sábado, 9 de junho de 2007

Flávio Cavalcanti


Flávio Cavalcanti, que saudade!


Flávio Cavalcanti Junior, filho do maior comunicador da televisão brasileira, Flavio Cavalcanti, e da carismática Dona Belinha, começou cedo a ajudar o pai na administração dos custos de produção dos programas que “seu velho”, como fala nos capítulos posteriores, comandava na extinta TV Tupi. Chegando, uma das vezes, a substituir o apresentador e, com toda a timidez que demonstrava no vídeo, comandou com êxito o programa “Um instante, Maestro!”.
No livro "Eu Juro Que Vi", o autor, mostra ao leitor uma visão pouco conhecida do grande público: os bastidores da política, do setor comercial e da televisão. Revela que além de ter sido o filho do comunicador mais importante da televisão, também foi um homem ligado aos assuntos gerais de uma produção televisiva. Depois de ter começado com seu pai, Flávio Júnior, foi trabalhar com Adolpho Bloch. Onde revela o lado engraçado, familiar e pitoresco deste empresário. Ajudou, politicamente, a viabilizar a Rede Manchete. Depois, “correndo atrás de um sonho”, como faz questão de deixar claro, foi trabalhar com Roberto Medina, na Artplan. Acompanhou Silvio Santos na criação do SBT, onde trabalhou por 14 anos, no SBT/Brasília.
Mas o lado mais curioso do livro são mesmo os bastidores da política e da televisão. Flávio Cavalcanti Júnior mostra as injustiças sofridas por seu pai. Apesar de ser tratado como homem de direita, teve várias vezes seu programa tirado do ar, pela mesma direita que diziam pertencer. Revela, também, que o pai colocou como jurada de seu programa a atriz Leila Diniz, que estava proibida pela direita de participar da novela “O sheik de Agadir”, da TV Globo. Além de ter oferecido abrigo à atriz em sua casa de Petrópolis, nos anos de repressão política, pois “seu jeito atrevido e o corpo quase sempre à mostra, incomodava as virtuosas senhoras das autoridades da República”. Nesta época, conviveu com outra figuraça dos meios de comunicação: Carlos Imperial. Consagrado produtor de pornochanchadas para o cinema e produtor de peças teatrais, como “Um edifício chamado 200”. É de Imperial que faz uma revelação surpreendente e reveladora: era totalmente careta, não encarava sequer uma dose de bebida alcoólica, pois era viciado em Coca-Cola, e seu grande prazer era degustar dois ou três copos grandes do refrigerante, seguidos por arrotos monumentais. Coisas de Imperial. Também revela a verdadeira e injusta a acusação sofrida pelo cantor Wilson Simonal.
Com seu pai Flávio Cavalcanti, o autor viveu os momentos de glória e de dificuldades financeiras sofridas, principalmente, após a fase difícil por que passava a TV Tupi. Tendo começado na década de 50 na TV, seu pai comandou na TV Rio o programa "Noite de gala", onde fez entrevistas marcantes, como: Tenório Cavalcanti e o presidente americano John Kennedy. Em 1957, estreava na TV Tupi carioca o programa "Um instante, Maestro!". Em 1965, lançou na TV Excelsior o primeiro júri de TV no seu programa. No ano seguinte, reeditou o programa na Tupi, lançando mais um programa na mesma emissora: “A grande chance”. Na década de 70, Antonio Lucena, superintendente da TV Tupi no Rio, chamou o apresentador e lhe fez a proposta de juntar os dois programas semanais em um só, aos domingos, de 18 às 22 horas. Lucena prometeu uma estrutura à parte da Tupi para viabilizar a produção do programa, comentando o desafio de se fazer o primeiro programa em rede nacional (a Embratel acabara de ligar todo o país através do satélite). Então, aos domingos, às 18 horas ia ao ar a chamada que entrou para a história da televisão brasileira: “No ar, neste momento, via Embratel, para todo o Brasil o Programa Flávio Cavalcanti”, nesse momento entrava em cena o apresentador com seu tradicional smoking. Ele chegou, pela conquista da audiência, a disputar convidados com o programa “Discoteca do Chacrinha”, que era exibido no mesmo dia pela TV Globo. O programa foi um grande sucesso durante anos. Porém, já na década de 70, a Rede Tupi começava a enfrentar problemas financeiros e passava a atrasar o pagamento de seus artistas. Então, com armar e bagagens, em 1973, foram para uma chamada assombração: a TV Rio Canal 13. Emissora que depois de brilhar na Av. Atlântica, acabou escondida num prédio inacabado nos costados do Morro do Pavãozinho, em Ipanema, onde seriam as instalações do futuro Panorama Palace Hotel. Quatro meses depois, voltavam para Tupi. Porém, mais uma vez, tiveram que trocar de canal: foram para a iniciante TVS Canal 11, reeditando o programa "Um instante, Maestro!". Voltou para a Tupi em 1978 com o "Programa Flávio Cavalcanti", mas seu esforço foi inútil, pois a emissora já estava no fim. Como não poderia ficar fora do ar, se transferiu, em 1982, para a TV Bandeirantes de São Paulo, onde apresentou diariamente o "Boa-noite, Brasil". O apresentador chegou a ser cogitado pela TV Globo, mas nada foi concretizado. Então, Flávio Júnior, o Flavinho, falou com Sílvio Santos se ele não tinha interesse em ter o comunicar em sua emissora novamente. Depois de várias negociações, em 1983, o “Programa Flávio Cavalcanti” passou a se exibido pelo SBT, que ficou no ar até sua morte em 1986. Por seus programas passaram vários nomes consagrados da crítica musical e do meio artístico brasileiro, como: Sérgio Bittencourt, Nélson Motta, Danuza Leão, Mister Eco, José Messias, Sargentelli, Marisa Urban, Erlon Chaves, Márcia de Windsor, entre outros.
Por essa e por outras, o livro de Flávio Cavalcanti Júnior merece um lugar de destaque em qualquer estante dos pesquisadores de televisão. Parafraseando o autor devo admitir: Flávio Cavalcanti, “Meus Deus, que saudade!”.

5 comentários:

salvador disse...

Meu Deus que saudade mesmo...
Me lembro dos tempos que televisão no Brasil era transmitido para o interior através de links... Morava numa pequena cidade do interior de Minas, lá pertinhoda Bahia. A imagem da TV Tupi, canal 6 - Rio de Janeiro, chegava no nosso receptor cheia de chuviscos que mal podíamos notar certos detalhes do cenário, entretanto, amávamos assistir televisão... Assistir Flávio Cavalcanti era um programa imperdível. Toda família ficava concentrada frente ao aparelho de TV para não perder as atrações que para nós era alvo dos bate-papos do dia seguinte. Que maravilha poder relembrar tudo isso... Indiretamente, como telespectador, julgo-me parte da história da TV brasileira. Quanto sofrimento quando dava problema no link e o sinal não chegava. Perdíamos a novela e as atrações dos programas do dia... J. Silvestre, Flávio Cavalcanti, Bibi Ferreira, Capitão Asa, a novela Antonio Maria, Nino o Italianinho e tantos outros, que saudade...
Salvador Lima

Fonte Inesgotável de Enérgia disse...

Meu Querido Senna Carioca eu sou o julio cesar pires tenho 39 anos e cresci nos auditórios das Extintas TV Tupi Canal 6 na Urca e da TV Rio Canal 13 em Copacabana,participava de quase todos se não todos os programas de auditório, gostaria de saber se você sabe me informar onde eu encontro fotos dos programas isso se existir,ou até mesmo sobre o Helio Ribeiro,que na época era o apresentador do Programa do "Tio Helio" exibido sempre nas tardes de sábado.

malu disse...

Há muito ouço este comentário e gostaria de saber da verdade: É verdade que Flávio Cavalcanti, brincando com o neto, jogou ele pra cima e não conseguiu segurá-lo, vindo o mesmo a falecer?

Marlucia

Anônimo disse...

É verdade que Flávio Cavalcanti
faleceu algumas semanas após
levar ao seu programa uma
entrevista com um jovem autor
de um livro crítico à TFP
(Tradição Família e Propriedade) ?

Rubens disse...

Malu, eu tambem conheco esse boato do Flavio Cavalcanti matar o neto, mas a historia que eu ouvia era diferente, que ele o tinha atropelado, ao dar ré na garagem de casa e nao ver a criança, que correu para trás do carro.

Julio Cesar Pires, voce era um macaco de auditorio, entao?... Falta do que fazer, passar os dias em auditorio de televisao, heim?... :-)